GUARAPARI

12 08 2010

Sábado, 31 de Julho. Malas Prontas, rumo a Guarapari.

Há doze anos passo a maior parte do tempo das férias e finais de semana por lá e não posso comparar nenhum dia com os últimos.

Ficar na praia o dia inteiro, pegar onda mal, me sentir incluído em meio aos meus três primos, todos eles bofes e verdadeiros amigos, ficar bronzeado temporariamente, passar noites acordados assistindo filme e rindo das coisas mais patéticas possíveis, sem contar os turistas que garantiam com um pouco de imaginação fantasia suficiente pra… Vocês sabem.

Há algum tempo essas viagens começaram a perder o gosto, todos nós crescemos e sob hormônios à flor, o foco mudou das amizades para as garotas. Difícil se sentir confortável em meio às conversas sobre sexo e às tentativas sem muito sucesso deles me amarrarem a essa, ou àquela guria.

E meus primos fazem até certo sucesso, e ao andar no calçadão e parar a todo momento para cumprimentar um ou outro conhecido eu ficava sem saber decidir por “apresente-me” ou “seja rápido, vamos continuar”.

Senti-me aliviado ao confirmar contar a eles que eu me sinto atraído por garotos, todos reagiram muito bem, com direito a abraços e muito bom-humor, o que também garantiu altos papos com minha tia, de mente muito aberta e com um amor incondicional que falta aos meus pais.

Não demorou muito e tive, mesmo que tarde, a idéia de procurar fazer as minhas amizades navegando. Tornaram as coisas melhores, conhecer algumas pessoas, ficar com outras, e até tive um namoro relâmpago no último carnaval com um rapaz, perdoe-me, muito imaturo.

Há mais ou menos um ano e meio, adicionei R. no Orkut que mantinha o “GUARAPARI” no seu perfil, mas, havia mudado para Ouro Preto – MG para estudar ECONOMIA na UFOP. Ele negou por um tempo que era gay, mas entregou seu irmão com um “não posso responder por ele” na primeira conversa.

No meio tempo desde a primeira prosa, as coisas ficaram claras sem muitas explicações e ele veio algumas vezes à Guarapari, sempre me convidando a conhecê-lo, mas sempre havia algum empecilho.

Então no domingo do dia 1º de agosto nos conhecemos em Guarapari, o que me prendeu por lá uns dias além do planejado.

Em resumo? Dia 20 estarei em Ouro Preto – MG.





SEVENTEEN

27 06 2010

17 Outra VezAté os 17 anos, nunca havia dividido meus desejos com ninguém, nem mesmo com minha melhor amiga ou amigos virtuais. Eu desconhecia movimentos no chat UOL (sim, já usei desta ferramenta) e não acreditava que minha “condição sexual” fosse permanente. Então, conheci este rapaz, que me adicionou no MSN propositalmente depois de ter analisado meu perfil no Orkut.

Em meio a uma conversa ele foi direto e perguntou se eu namorava garotos, que era gay e queria me conhecer. Nada parecido havia acontecido comigo antes e eu fui insistente em negar pelos três meses antes de nos conhecermos.

Estudante de DIREITO, 20 anos, inteligente, bem-humorado e decidido, ele não era bonito, mas, foi meu primeiro beijo, meu primeiro amor e minha primeira vez com um homem e o motivo de eu contar aos meus pais, que insistiam em conhecer os “amigos da faculdade” com quem eu sempre saía, mas acima de tudo me ajudou a aceitar e ter orgulho do que sinto.

Nunca namoramos. Ficamos por cerca de três meses, acho. Ele foi claro ao dizer que não queria compromisso, entretanto, quando se tem 17 anos, é inexperiente e está apaixonado pela primeira vez, sua visão fica nublada.

Vamos aos fatos. Chegamos a trabalhar na mesma empresa e na semana do dia dos namorados e da minha primeira vez, ambos sopraríamos as velinhas das quais eu alcançaria a maioridade e ele os 21 anos. Insisti em vê-lo, pois queria presenteá-lo, contudo, não consegui contatá-lo. Mais tarde descobri que ele havia festejado com os amigos que eu conhecia e eu não podia estar presente, afinal, não seria conveniente conhecer o seu mais novo “ficante”.

Ficaram alguns dias, apenas.

Hoje, tenho ambos no Orkut, mas não mantemos contato. Quatro anos depois não sei se a gratidão que eu sinto pela experiência é justa, não consigo decidir chamá-lo vilão ou de mocinho, mesmo sabendo que ele roubou meu coração e o devolveu em pedaços, afinal, eu era apenas um SEVENTEEN. SEVENTEEN. Era como ele me chamava.

Abraços a todos!








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