Você é GAY?

19 06 2010

Eu procurava por blogs interessantes no WordPress e ao ler o Artigo de Luciano Cazz para o site Algo a Dizer postado e comentado no blog Ne Quid Nimis… veio o desejo imediato de postá-lo.

ELE TEM NAMORADO E NÃO É GAY?!

Ele Não é GayA liberdade sexual está cada vez mais rompendo fronteiras, assim como o preconceito se corrói. Entretanto, há muito ainda o que refletir.   Ontem, um dos meus melhores amigos me contou com muita naturalidade:

— Sabe o Rafa?

— Que divide o apê contigo…

— Isso. É meu namorado.

A primeira sensação foi de que era mais uma brincadeira. Mas no seu olhar percebi que era papo reto. Fiquei tenso. Na real chocado. E acabei balbuciando o que parecia evidente:

— Você é gay?

— Não!

Voltei a pensar que era zoação. Um cara que namora um homem e não é gay?!

— Descreva uma camisa gay.

— Justa, rosa.

Fui sucinto e óbvio. Estava confuso.

— Eu usaria essa camisa?

— De jeito nenhum!

Respondi rindo porque esse meu amigo é muito tosco. Não usa nem loção pós-barba.

— Então dentro desse conceito de gay que você aplicou na camisa, eu sou gay?

— Caramba…Não! Mas então?

— Gay é um rótulo criado pelo preconceito. O problema não está na palavra, mas na forma como ela é utilizada. “Ele é gay!” Geralmente com raiva, decepção, amargura, deboche ou apenas para diminuir. Raramente uma constatação sem censura ou maldade. Pior ainda é veado, boiola, bicha. Palavras que carregam consigo o signo de atração entre dois homens de forma totalmente pejorativa, embutindo um preconceito que beira à ignorância e transforma uma simples realidade em algo depreciativo, ruim, errado. Um conceito social equivocado que derruba a auto-estima de quem sente atração por iguais lá no chão. Ainda mais num mundo onde a diversidade sexual é muito vasta para ser rotulada em apenas dois ou três aspectos.

Para me envolver com outro homem não preciso dessa nomenclatura, cilada da burguesia para derrubar a aristocracia passada, cujos desejos não eram reprimidos.

Ser “meio gay” não tem nada a ver com sentir atração por homens, e sim, com ter trejeitos afeminados. E não é porque sou capaz de amar um homem que preciso falar: Ma-ra-vi-lhóóó-sa. Nunca quis ser mulher. Gosto de ser homem.

As pessoas mitificam o sexo entre iguais. Se o cara passa a vida inteira transando com mulher e um dia ele se envolve com um homem, é gay. Melhor, se descobriu. Agora se resolve trocar um homem por uma mulher, é lapso. E nunca deixará de ser rotulado como gay. Até porque a maioria prefere ver o foco sobre a (homo)sexualidade do outro. Assim, não precisa admitir, nem para si mesmo, sua própria atração pelo igual, eximindo-se de toda carga negativa, culposa e até suja, criada arbitrariamente, em torno do conceito do sexo entre pessoas do mesmo gênero. Ou você tem alguma dúvida de que o homofóbico deseja homens?  Eu gosto de homens sim e se esse sentimento nasce tão naturalmente em mim, porque vou agir de forma diferente?


Senti minhas forças renovadas ao terminar de ler.

Sempre me permiti ter os mesmos direitos que os heterossexuais, inclusive em meus relacionamentos, as pessoas se impressionam quando ouvem “Este é meu namorado…”, pois não faço rodeios sobre a minha opção e nem sou do tipo que rotulam “afeminado”.

DivãEstive conversando com minha terapeuta sobre esta minha necessidade de me fazer aceito e ela replicou: “Outro dia assistia a um programa na MTV sobre jovens homossexuais. Eles entrevistavam um rapaz de 17 anos que falava tão naturalmente e de forma tão madura sobre a sua opção que fiquei admirada. Admirada, não espantada. E ele finalizou o que dizia mais ou menos da seguinte maneira: ‘eu espero que o mundo siga para um caminho onde as pessoas aceitarão as pessoas e não o sexo delas'”.

Veja, é engraçado como as pessoas te aceitam e admiram até que descobrem que você é “homossexual” e então esta palavra sempre vem à frente de qualquer qualidade.

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